STAMPEDE: abiraterona na primeira linha do câncer de próstata avançado

Um estudo clínico com quase 2 mil homens mostrou que a adição de acetato de abiraterona (Zytiga®) ao regime de tratamento inicial padrão para câncer de próstata avançado de alto risco diminuiu o risco relativo de morte em 37%. A taxa de sobrevida aos 3 anos foi de 76% com terapia padrão isoladamente e saltou para 83% com a adição de abiraterona. Os dados são do estudo STAMPEDE, na maior análise já realizada sobre o uso de abiraterona como terapia de primeira linha para câncer de próstata avançado, que será apresentado na ASCO na sessão plenária de sábado, 3 de junho.

“A adição de abiraterona ao tratamento padrão não só prolongou a vida, mas também reduziu a chance de recaída em 70% e reduziu a chance de complicações ósseas em 50%”, disse o primeiro autor do estudo, Nicholas James, professor de Oncologia Clínica no Queen Elizabeth Hospital em Birmingham, Reino Unido. “Com base na magnitude do benefício clínico, acreditamos que o tratamento inicial para pacientes recém-diagnosticados com câncer de próstata avançado deve mudar”, sinalizou.

Sobre o Estudo

STAMPEDE é um ensaio clínico randomizado com múltiplos braços de análise, conduzido no Reino Unido e Suíça. A análise atual selecionou 1917 pacientes, randomizados 1:1 para receber a terapia padrão com privação androgênica (ADT da sigla em inglês) ou a terapia padrão mais abiraterona no tratamento de pacientes com câncer de próstata de alto risco. A dose de abiraterona foi de 1000 mg + 5mg de prednisona por dia.

Os pacientes selecionados tinham câncer localmente avançado ou metastático e todos receberam terapia de privação androgênica como tratamento padrão por pelo menos dois anos. Os pacientes com câncer localmente avançado (48% do total avaliado) também poderiam receber radioterapia, além de ADT. A radioterapia (RT) foi obrigatória para homens com doença N0M0 e encorajada para N + M0.

Principais conclusões

Após um seguimento médio de 40 meses, 262 mortes ocorreram no grupo que recebeu exclusivamente terapia padrão e 184 mortes foram registradas no grupo que recebeu adição de abiraterona (HR ajustada = 0,63). A taxa de sobrevida global em três anos foi de 83% no grupo abiraterona versus 76% no grupo de terapia padrão.

O uso de abiraterona também reduziu o risco de falha ao tratamento (medido pela piora dos sintomas clínicos, progressão radiológica ou elevação do PSA) em 71% em comparação com a terapia padrão. Os efeitos foram consistentes entre os diferentes subgrupos avaliados.

Em relação ao perfil de segurança, os efeitos colaterais foram semelhantes entre os dois grupos. Os efeitos secundários graves foram mais comuns entre os pacientes que receberam abiraterona do que no grupo que recebeu terapia padrão (41% vs 29%).

Os principais efeitos colaterais com abiraterona incluíram problemas cardiovasculares e hepáticos. Houve dois óbitos relacionados ao tratamento no grupo abiraterona e um no grupo que recebeu terapia padrão.

Para os autores, novas pesquisas são necessárias não apenas para corroborar esses achados, mas para identificar potenciais combinações capazes de beneficiar pacientes com câncer de próstata metastático, quer adicionando abiraterona, quer adicionando docetaxel, agente que também já demonstrou papel nesse cenário de tratamento.

Análises moleculares de amostras de tecido coletadas no estudo STAMPEDE também vão ajudar a refinar estratégias e identificar que subconjunto de pacientes pode se beneficiar mais da adição de docetaxel ou abiraterona ao tratamento padrão. Os dados do STAMPEDE contribuem, ainda, para a comparação indireta de resultados, com a abordagem de “metanálise de rede”.

Esse estudo foi financiado pela Cancer Research UK, Medical Research Council e Janssen, com contribuições adicionais da Astellas, Clovis Oncology, Janssen, Novartis, Pfizer e Sanofi-Aventis.

Referência:
Abstract LBA5003: Adding abiraterone for men with high-risk prostate cancer (PCa) starting long-term androgen deprivation therapy (ADT): Survival results from STAMPEDE (NCT00268476). – Nicholas D. James – Citation: J Clin Oncol 35, 2017 (suppl; abstr LBA5003)

 

Fonte: Onconews

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