Saiba como o serviço de acolhimento é eficaz no tratamento do câncer

No Brasil, até dezembro deste ano, de acordo com o Inca, serão cerca de 600 mil novos casos de câncer. Embora os números sejam alarmantes e reforcem a importância da mudança de estilo de vida e a visita regular ao médico, o câncer não deve ser visto como sentença de morte. O paciente com câncer precisa de acolhimento na identificação de seus problemas para que possa enfrentá-los de forma realista, participar ativamente da experiência e, se possível, encontrar soluções para eles.

Nesse cenário de atendimento, a área de acolhimento do Instituto de Câncer de Brasília (ICB) se engaja no processo de cuidar do paciente e de sua família para que seja promovida uma assistência humanizada e integral.

Visando intensificar o engajamento do paciente ao tratamento, Marli Peixoto, enfermeira do ICB, explica que o foco da área de acolhimento é desmitificar a ideia de que o câncer é uma doença relacionada a dor e óbito. “Tão importante quanto os medicamentos quimioterápicos, o êxito do tratamento também depende da continuidade e do menor número de internações”, ressalta.

Para que as taxas de sucesso sejam determinantes no serviço especializado de acolhimento, a enfermeira conta que é realizada a análise do protocolo de tratamento, checando informações como o peso e altura, doses de medicações e medicações de suporte para a quimioterapia, conhecidas como ‘pré-QT’.   “Quando o paciente chega ao centro de infusão é realizada uma consulta inicial de enfermagem, onde são coletados todos os dados relevantes para o tratamento. É preciso orientar sobre possíveis efeitos colaterais dos medicamentos,  exames, cuidados com cateter, como realizar os agendamentos, o que muda na rotina durante o tratamento e quando entrar em contato com a equipe médica”, destaca.

Prática Clínica – Na sua experiência clínica, Marli Peixoto relembra dos pacientes que pensaram em desistir do tratamento por medo ou cansaço, já que alguns protocolos são longos, chegando, às vezes, a um ano de tratamento. “O serviço de acolhimento exercita o diálogo constante e o conhecimento técnico para mostrar a importância de seguir a diante. Se torna a interface entre médico, paciente e família”, reforça.

A enfermeira explica que o paciente com câncer não deve ser considerado apenas como mais um caso, mas assistido de forma individualizada, e isso abrange os familiares. “Todos devem verbalizar seus sentimentos, suas angustias e seus medos. A empatia deve sempre estar presente neste cuidar e representa um momento de atenção, cuidado, zelo, preocupação, responsabilidade, singularidade, envolvimento e respeito”, finaliza Marli Peixoto.

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