Infectologia: conheça a especialidade e porque ela é tão essencial na saúde

As doenças infecciosas estão mais presentes na rotina do que se imagina. Por serem causadas por vírus, bactérias, fungos, parasitas e algumas transmitidas de uma pessoa para outra, todos podem apresentá-las. Seus agentes levam desde uma gripe, facilmente curada, até a problemas que exigem abordagem mais completa. Em todos os casos, o infectologista é o responsável pelo tratamento .

Embora a especialidade desta área seja pacientes com HIV, seu campo de atuação é mais amplo, englobando todas as doenças infectocontagiosas. Isso se dá pelo fato deste especialista ser o que, em sua formação, mais domina o uso de antibióticos.

O HIV corresponde a 50% dos pacientes que vêm ao consultório, mas nós tratamos sífilis, hepatites B e C, doenças transmitidas pelo aedes aegypti, infecções urinárias de repetição, herpes, HPV, osteomielite (que é uma infecção dos ossos) e alguns casos de pneumonias complicadas e tuberculose. Esclarece o infectologista do ICB, Werciley Júnior.

Uma consulta com esse profissional é marcada pela investigação profunda de cada caso. No primeiro momento, ocorre a conversa para entender os sintomas e é feito o exame clínico para encontrar algum sinal da doença. Após essa etapa, exames complementares são solicitados para confirmar o diagnóstico.

A infectologia é uma das áreas mais ligadas aos exames laboratoriais. Mesmo que a doença em questão seja uma sinusite, se ela é de repetição, eu preciso investigar o que está levando a essa constante recidiva. Não consigo alcançar um diagnóstico efetivo sem ligar o exame físico ao laboratorial.

Outra característica da especialidade é o trabalho em parceria com outros médicos.

Atuamos muito junto aos reumatologistas, cirurgiões (são comuns infecções pós-cirurgia) e às pessoas com diabetes e câncer. Os pacientes oncológicos tomam medicação que baixam sua imunidade, assim, ficam mais suscetíveis às infecções durante e após o tratamento. Nós conseguimos curar possíveis doenças oportunistas e realizar medidas profiláticas, recomendando vacinas que podem ser tomadas nessa fase.

Prevenção
A maioria das doenças tratadas pela infectologia podem ser prevenidas e com medidas simples. Nos casos das DSTs, a recomendação é o sexo com camisinha. Já para as demais, aconselha-se: evitar aglomerações, se afastar de pessoas doentes e lavar sempre as mãos.

Desospitalização
O infectologista também é essencial quando o assunto é desospitalização. Atualmente, a classe médica vem entendendo que nem sempre a hospitalização pode ser o melhor caminho para determinados pacientes. Algumas doenças, como osteomielite, endocardite e complicações em pacientes com câncer, levam o paciente estável à internação devido à necessidade de antibióticos, porém, essa administração pode ser feita em clínicas.

Para esses pacientes, conseguimos discutir a melhor forma de manejar os antibióticos, com alternativas de aplicação de uma a duas vezes por dia ou, inclusive, os orais. Assim, tiramos o paciente do hospital e o devolvemos para o convívio da família, oferecendo um tratamento mais digno e melhor recuperação.

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