Acompanhamento multidisciplinar é o caminho para o tratamento humanizado na Oncologia

Atender um paciente vai além de exercer a medicina. É preciso estar atento à individualidade de cada paciente para saber exatamente o que ele precisa e não só tratar, mas cuidar. Foi esse olhar que levou a oncologista do ICB – Instituto de Câncer de Brasília, Camila Tapia, a escolher esta profissão e a despertar o interesse pela Oncologia.

Depois de ter se graduado pela Universidade Federal de Pelotas, seguiu para a residência em Clínica Médica no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre. Durante esse período percebeu que os pacientes que mais gostava de tratar eram os oncológicos.

Na residência de Clínica Médica, era muito comum termos casos de complicações vindos da oncologia e isso despertou em mim a vontade de seguir nessa especialidade. Então, ingressei na residência de Oncologia Clínica, também no Hospital Nossa Senhora da Conceição, e, ao concluir, já comecei a trabalhar no ICB.

Oncologia
O paciente oncológico requer um tratamento individualizado, o que pode trazer alguns desafios para a especialidade.

O que é bom para uma pessoa, para outra pode não ser a melhor opção. Por isso, é fundamental acolher o paciente como um todo. E isso seria praticamente impossível se não trabalhássemos numa equipe multidisciplinar.

Essa colaboração acontece desde o início. Assim que o oncologista identifica o caso, é feita uma avaliação junto ao cirurgião e ao radioterapeuta para que o tratamento e tipos de terapias usadas sejam definidos em conjunto.

O tratamento multidisciplinar envolve especialidades médicas e não médicas também, contando com enfermagem, psicologia, nutrição, assistente social… Cada profissional com o seu papel e todos trabalhando juntos. Esse suporte é essencial.

Em grande parte, o acompanhamento com várias especialidades se dá pelos efeitos colaterais do tratamento, que causam sintomas variados e podem influenciar negativamente na resposta e na qualidade de vida do paciente.

No últimos anos, os quimioterápicos, imunoterápicos e também os medicamentos de suporte evoluíram muito. Isso possibilita que o paciente tolere melhor o tratamento, mas ainda sim precisamos nos esforçar para manejar esses efeitos e tentar minimizá-los.

Informação
O paciente pode fazer sua parte pesquisando sobre a doença e o tratamento, mas é preciso estar sempre atento para diferenciar quais fontes são sérias e corretas e quais são sensacionalistas.

Existe muita informação válida na internet, mas, na dúvida, eu sempre indico que converse com o seu médico. O principal benefício de se manter informado é que, quando se sabe exatamente o que está se passando, como é a doença, quais os possíveis efeitos colaterais, o tratamento é melhor aceito.

Mitos
E por mais que se fale sobre o assunto, o câncer ainda é uma doença cercada por mitos e preconceitos. Mas, segundo a oncologista, a medicina evoluiu muito e hoje, em determinados casos, pode se falar em cura.

Muitos também pensam que quem está em tratamento não pode levar uma vida normal. Mas muitos quimioterápicos são usados apenas para diminuir as chances da doença voltar e não significa que a pessoa esteja doente. Quando é usado como tratamento principal, é possível manter uma rotina normal, com qualidade de vida.

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